"Sempre" fui fanática por futebol (leia-se "dos 8 aos
14 anos"). Sim, projeto de escritora que sou, preciso florear, quiçá
exagerar em algumas palavras. Aos 12, na Copa do Mundo de 1998,
jogaram algumas gotas de água fria na minha paixão, e, a partir dos 17, ano em
que me mudei para Florianópolis, residindo ao lado do estádio do Furacão do
Estreito, chamaram o Corpo de Bombeiros. A emoção de assistir aos jogos do São
Paulo – na cidade onde morava, Indaial, a tal da antena parabólica só
transmitia, “bairristicamente”, o campeonato carioca ou paulista, ou o
Brasileirão, que na época não contava com times catarinenses, talvez e esporadicamente
com o Criciúma – havia sido apagada por litros de gelo (a água, em seu estado
líquido, já não é capaz de definir o tamanho do “apagão” que assolou meu
coração de torcedora). Presenciar, da sacada do apartamento, brigas
entre torcidas adversárias (ou pior, entre as organizadas de um mesmo time),
desrespeito, desamor pelas pessoas e amor por um time que sequer é palpável (a
não ser que alguém queira apalpar os jogadores que se dizem de origem humilde
mas que, em sua maioria, não estudaram e continuam perpetuando a desigualdade
social com seus salários astronômicos, gastos com festas e mulheres), fizeram
de mim uma daquelas “mulherzinhas” que odeiam futebol. Ou melhor, odeiam
assistir ao futebol (a minha canhotinha ainda sente saudades das quadras de
futsal da escola). Não bastasse isso, ainda tinha de ouvir no noticiário que as
torcidas estavam reivindicando novas contratações e atitudes dos dirigentes.
Ãhn? É isso mesmo? Sinceramente, queria eu que toda essa revolta fosse
canalizada para a política, para que pudéssemos cobrar dos vereadores,
deputados – sim, porque são eles que estão mais próximos de nós, são eles que
propõem e votam os projetos de lei, são deles as sessões que podemos acompanhar
nas Câmaras. Ou seja, não adianta votar pra prefeito no PSOL e pra vereador no
PSD (antigo PFL/DEM) – melhorias na saúde, educação, segurança e tudo aquilo
que nos é de direito enquanto contribuintes que somos!