quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Pão e Futebol


"Sempre" fui fanática por futebol (leia-se "dos 8 aos 14 anos"). Sim, projeto de escritora que sou, preciso florear, quiçá exagerar em algumas palavras. Aos 12, na Copa do Mundo de 1998, jogaram algumas gotas de água fria na minha paixão, e, a partir dos 17, ano em que me mudei para Florianópolis, residindo ao lado do estádio do Furacão do Estreito, chamaram o Corpo de Bombeiros. A emoção de assistir aos jogos do São Paulo – na cidade onde morava, Indaial, a tal da antena parabólica só transmitia, “bairristicamente”, o campeonato carioca ou paulista, ou o Brasileirão, que na época não contava com times catarinenses, talvez e esporadicamente com o Criciúma – havia sido apagada por litros de gelo (a água, em seu estado líquido, já não é capaz de definir o tamanho do “apagão” que assolou meu coração de torcedora). Presenciar, da sacada do apartamento, brigas entre torcidas adversárias (ou pior, entre as organizadas de um mesmo time), desrespeito, desamor pelas pessoas e amor por um time que sequer é palpável (a não ser que alguém queira apalpar os jogadores que se dizem de origem humilde mas que, em sua maioria, não estudaram e continuam perpetuando a desigualdade social com seus salários astronômicos, gastos com festas e mulheres), fizeram de mim uma daquelas “mulherzinhas” que odeiam futebol. Ou melhor, odeiam assistir ao futebol (a minha canhotinha ainda sente saudades das quadras de futsal da escola). Não bastasse isso, ainda tinha de ouvir no noticiário que as torcidas estavam reivindicando novas contratações e atitudes dos dirigentes. Ãhn? É isso mesmo? Sinceramente, queria eu que toda essa revolta fosse canalizada para a política, para que pudéssemos cobrar dos vereadores, deputados – sim, porque são eles que estão mais próximos de nós, são eles que propõem e votam os projetos de lei, são deles as sessões que podemos acompanhar nas Câmaras. Ou seja, não adianta votar pra prefeito no PSOL e pra vereador no PSD (antigo PFL/DEM) – melhorias na saúde, educação, segurança e tudo aquilo que nos é de direito enquanto contribuintes que somos!